III – Tá atrasado, Haroldo! Berrou Cláudia... Despenteada... Cheia de remela e mau hálito... Horrível voz a me sacudir numa manhã fria e nublada. Fui direto para o chuveiro... Mas a água quente não esquentava... Puta que o pariu! Berrei... Às seis e meia da manhã... Fria, nublada, degradante manhã... – Cala a boca, Haroldo! Fui advertido veementemente por Cláudia, mais descabelada do que nunca, mau humorada, berrou ela também: – Allanzinho não quer ir pr’escola... E acrescentou: – Você quer acordar toda a vizinhança? Talvez quisesse... Mas não no sentido que ela dissera. Minhas leituras, inumeráveis, nas horas de folga, uma vez qu’eu pudesse, me encaminhavam a um beco sem saída... Quer dizer, não era eu quem estava numa cilada, e sim esta civilização global... Sem saída é o que parecíamos. Escutei, então, uma voz muito fininha, desafinada, porém melodiosa, cantando uma cantiga infantil moderna... A Xata da Chuxa! Mas quem cantava era mi...
A literatura livre de amarras