VII Mais um dia se passou... Um domingo, se não me engano, não sei se ensolarado ou nublado, apesar de que da janela da saleta onde eu tentava dormir, enganar o estômago, pudesse vislumbrar algo como um panorama não muito enevoado, ainda que a claridade-sombra se alterasse de tempos em tempos, talvez, um suposto brilho tivesse me ofuscado pela manhã, quando o sol refletira-se nas esquadrias de alumínio da sala defronte, separada apenas por um fosso inútil, cheio de restos de comida petrificados e palitos de fósforos usados, mas eu não tinha certeza porque estava meio desnorteado com a noite mal dormida, o torcicolo atroz, a barba crescida espetando o rosto, e a barriga vazia roncando, desesperada pela falta de um alimento para esta alma penada e fosca. Talvez estivesse sol lá fora sim, porém o pior de tudo era esta incerteza... Havia alguns séculos ela convivia conosco. Eu não podia sair dali... Encarcerado como um prisioneiro, mas ainda assim eu achava que o mundo exterior ...
A literatura livre de amarras