Quando eu penso naquilo tudo pelo qu’eu passei, tudo que amealhei nesta vida bandida, a que as pessoas se prendem com unhas e dentes, tudo aquilo que elas julgam de bom tom, bens que fazem com que as pessoas revirem as cabeças de felicidade, percam o sono com o dia seguinte, sonhando quando estiverem na loja pela manhã, e o pequeno Allan chegou mesmo a perder a cor certo dia, num natal bem bonito, recordo-me bem, quando eu lhe trouxe aquele ferrorama completo, com todos os ingredientes que um garoto sonha, e, mesmo que não sonhasse perdidamente, talvez a coisa nem tivesse passado pela sua cabeça pequenina, mas quando ele viu o trenzinho ali, ao vivo, percorrendo seu eterno caminho rumo sempre ao mesmo ponto, como a serpente que mordesse a própria cauda... Nossa Senhora! Ele era bem pequeno o moleque... Eu me lembro da carinha dele de alegria, a surpresa, seguida do largo sorriso, o deslumbramento quando aquele pequeno universo iniciou sua vida, mesmo que ele não soubesse o que rep...
A literatura livre de amarras