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Mostrando postagens de julho, 2010

O DESPERTAR DE HAROLDO BLOOMFELD - CONTINUAÇÃO

XII Enfim... Um dia eu topei com o Juiz de Direito mais uma vez... Talvez no dia do julgamento talvez... Eu já sabia que nada seria como antes neste mundo de Abrantes. Depois de reler Joyce pela quarta vez, amadurecido enfim... Eu comecei entender que as palavras estão na verdade soltas no ar... Na mente... E portanto no espaço sideral... Sem amarras... E como irei descrever este final apocalíptico? É muito simples... Eu havia perdido até a fome, uma coisa que não sói acontecer com muita freqüência... Nem mesmo encerrado naquela saleta desgraçadamente. Aliás eu já havia saído daquele ambiente de purgatório maldito; só mesmo na mente de alguns estúpidos sacerdotes católicos inventar tal parada! Defrontei-me finalmente com o Juiz de Direito... O embate final antes do Juízo... Ele virou-se para mim, a cara mais lavada do mundo e me disse: – Quem você pensa que é afinal, Bloomfeld? Isso eu me lembro bem. – Eu? – volvi, surpreso como responder. – Eu ...

O DESPERTAR DE HAROLDO BLOOMFELD - CONTINUAÇÃO

XI Outro dia a mais significava um dia a menos, embora a passagem que limitava a minha estada de certo modo não demonstrava outra coisa que não fosse ainda a mórbida esperança encapuzada... Mas o que importava era isso... Este caso permanecia como o inconstante inverno dos meus sonhos de menino... Primavera? Verão? Outono? Inverno? Sem a neve do Papai Noel do Norte, indecifrável nas suas razões de Império. Uma propensão cadavérica à decapitação pura e simples, mais pura do que simples, porquanto uma eliminação sumária era coisa de somenos importância, ainda que palpável. O difícil seria convencer a sociedade da legalidade de dita ação... A sociedade não passa de uma matrona prostituta com um ventre enorme que adora se empanturrar de novidades, e ela acaba cedendo às vontades dos rufiões atrapalhados, os tiranos daquelas estações transitórias... Mais inconstante que uma ninfeta cheia de vontades pueris! Quando isto vai ter um fim? Daqui a mil anos talvez... ...

O DESPERTAR DE HAROLDO BLOOMFELD - CONTINUAÇÃO

X O Delegado entrou atabalhoadamente, tropeçando nos cabos que se cruzavam no chão por todos os lados, à maneira de raízes, enfurecido, maldizendo o “filho da puta que transformou esta delegacia num circo!” – Se eu pegar o infeliz eu fuzilo ele! Ele berrou uma série de impropérios desqualificados impublicáveis descartáveis neste momento por pura questão estética digamos assim. Nenhum dos ofendidos houve por bem responder, até porque não foram encontrados. Ainda bem, porque, se o fizessem, atrairiam todo o rancor e ódio de um pretenso servidor da lei. Esta era outra coisa, Haroldo Bloomfeld bem o sabia, apenas afeita aos alfarrábios civis, e não para ser considerada na prática, uma vez que a Lei, com letra maiúscula, era uma gazeteira de primeira em terras tupiniquins. – O que está acontecendo aqui, Bloomfeld? – Eu virei notícia, delegado... – Você o quê?! – Parece que a imprensa acredita que o meu caso pode gerar uma mudança histórica neste país... – É mais fácil um ...