Aquelas duas senhoras vinham conversando no trânsito engarrafado na altura de Laranjeiras...
Cada uma em seu próprio carrão; vidros abertos, cabelos despenteados ao vento, poeira, poluição e buzinaço...
O trânsito ia tão lento que elas conseguiam manter a conversação com os carros sempre alinhados, já durante uns vinte minutos...
- Eu tenho médico marcado daqui a quinze minutos... Lá em Copacabana, e não sei como vou chegar...
- Pior sou eu - disse a segunda, muito bem vestida, óculos escuros, e uma aparência de estrela de cinema. - Estou indo pro trabalho. Acho que não vou chegar na hora...
- É todo dia isso! - volveu a primeira, indignada. Um pouco mais velha, talvez uns vinte anos, mas igualmente bem vestida - E não há jeito de consertar...
- É... - confirmou a estrela de Hollywood, porém um pouco mais comedida.
- Será que isso nunca vai ter jeito?
- Acho difícil. Agora todo mundo tem carro, e o transporte público não compensa - retrucou a mulher mais jovem com tranquilidade estóica.
- A tendência é piorar...
- Não vejo solução a curto prazo...
- Só tem uma...
- Qual?
- Mudar de cidade.
- Pra ir aonde? Não existe lugar melhor do que o Rio de Janeiro...
- Gosto muito do seu cabelo - disse a motorista mais velha, meio que saudosista, mudando de assunto rapidamente, meio enfarada também. - Desse estilo anos 70, despojada...
- Sabe quanto eu paguei nesse corte que não teve nada demais?
- Quanto?
- 270 Reais...
- Quanto?!
- 270 Reais.
- Tá barato, querida!
- Depende do ponto de vista...
- Sabe quanto foi da última vez que eu fiz massagem e reflexo?
- Quanto?
- 320 Reais...
- Dependendo do salão, eles cobram muito caro...
- Sabe quanto o meu marido paga pra aparar aquele cabelinho ralo dele todo mês?
- Quanto?
- Cem Reais!
- A Senhora já pensou em mudar de salão?
A bela motorista, tipo estrela de cinema, reparou que a sua interlocutora engarrafada não gostara muito da sugestão...
- Você gosta do seu emprego? - perguntou a mais velha, já bem agastada, sem razão alguma.
- Gosto. Sou muito bem remunerada...
- Gosta deste engarrafamento todo dia?
- Não, mas...
- Porque a senhorita não muda de emprego então?
A motorista mais velha, irritada, engatou a segunda por entre a confusão de veículos e desapareceu no mar do trânsito.
A jovem motorista, muito distinta e elegante, de bem com a vida e com seu emprego, muito bonita por sinal, permaneceu parada, embasbacada...
Moral da história: é preferível enfrentar um engarrafamento monstro todo dia, do que uma mal-educada uma vez por ano.
Cada uma em seu próprio carrão; vidros abertos, cabelos despenteados ao vento, poeira, poluição e buzinaço...
O trânsito ia tão lento que elas conseguiam manter a conversação com os carros sempre alinhados, já durante uns vinte minutos...
- Eu tenho médico marcado daqui a quinze minutos... Lá em Copacabana, e não sei como vou chegar...
- Pior sou eu - disse a segunda, muito bem vestida, óculos escuros, e uma aparência de estrela de cinema. - Estou indo pro trabalho. Acho que não vou chegar na hora...
- É todo dia isso! - volveu a primeira, indignada. Um pouco mais velha, talvez uns vinte anos, mas igualmente bem vestida - E não há jeito de consertar...
- É... - confirmou a estrela de Hollywood, porém um pouco mais comedida.
- Será que isso nunca vai ter jeito?
- Acho difícil. Agora todo mundo tem carro, e o transporte público não compensa - retrucou a mulher mais jovem com tranquilidade estóica.
- A tendência é piorar...
- Não vejo solução a curto prazo...
- Só tem uma...
- Qual?
- Mudar de cidade.
- Pra ir aonde? Não existe lugar melhor do que o Rio de Janeiro...
- Gosto muito do seu cabelo - disse a motorista mais velha, meio que saudosista, mudando de assunto rapidamente, meio enfarada também. - Desse estilo anos 70, despojada...
- Sabe quanto eu paguei nesse corte que não teve nada demais?
- Quanto?
- 270 Reais...
- Quanto?!
- 270 Reais.
- Tá barato, querida!
- Depende do ponto de vista...
- Sabe quanto foi da última vez que eu fiz massagem e reflexo?
- Quanto?
- 320 Reais...
- Dependendo do salão, eles cobram muito caro...
- Sabe quanto o meu marido paga pra aparar aquele cabelinho ralo dele todo mês?
- Quanto?
- Cem Reais!
- A Senhora já pensou em mudar de salão?
A bela motorista, tipo estrela de cinema, reparou que a sua interlocutora engarrafada não gostara muito da sugestão...
- Você gosta do seu emprego? - perguntou a mais velha, já bem agastada, sem razão alguma.
- Gosto. Sou muito bem remunerada...
- Gosta deste engarrafamento todo dia?
- Não, mas...
- Porque a senhorita não muda de emprego então?
A motorista mais velha, irritada, engatou a segunda por entre a confusão de veículos e desapareceu no mar do trânsito.
A jovem motorista, muito distinta e elegante, de bem com a vida e com seu emprego, muito bonita por sinal, permaneceu parada, embasbacada...
Moral da história: é preferível enfrentar um engarrafamento monstro todo dia, do que uma mal-educada uma vez por ano.
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