Tão logo descobriu a verdade, o menino saiu pelo mundo a contar a todos o que descobrira: "tudo é um". As pessoas olhavam para ele com expressões de desconfiança; alguns até com ódio; outros com total indiferença. Havia até aqueles que riam-se daquele pobre menino doidinho, a falar bobagens pelo bairro inteiro, pois ele logo ficaria conhecido como "o menino doido". E havia também aqueles que o contemplavam com alguma compaixão, mas sem compreenderem o fundo da questão, e sem perderem tempo para refletir a respeito daquilo que ele dizia, afagavam os seus cabelos e o deixavam ir repetindo sem cessar: "tudo é uma coisa só! Não há diferença entre nós, entre nações, os animais, as coisas e toda a natureza. Tudo é um!" E "o menino doido" continuou a proclamar a sua verdade por aí... Às vezes era pego conversando com os gatos, os cachorros e os pombos, mas a eles o menino não dizia muito, limitava...
A literatura livre de amarras