VI No dia seguinte, bem cedo pela manhã, Cláudia, premida pelo desejo imorredouro de ver o seu marido dela, maltratado pela sorte, oriundo das camadas não as mais pobres dentre todas aquelas que disputavam o pão nosso de cada dia, compareceu à delegacia. Sem as crianças, é claro. O delegado permitira-me duas ligações, mas eu não me importara muito com esta caridade institucional. Liguei apenas para Cláudia a fim de explicar, por linhas sumárias, o que me tinha acontecido. Pior mesmo foi explicar ao chefe o incidente... No trabalho as coisas não iam nada bem para minha carcaça de tartaruga encéfala. Isto significava, provavelmente, demissão, sem muitos exórdios com fachada de magnanimidade, embora o meu chefe, pessoalmente, ao pé de um telefone inequívoco, garantisse que tudo estava bem, não é Xavier? Cláudia, toda chorosa, amarfanhada como capa de revista de fofocas depois de duas dúzias de clientes de um consultório médico a manipularem, fora introduzida na saleta onde eu impro...
A literatura livre de amarras